Mudanças…

Embora Arlindo Orlando tenha tentado ao máximo evitar, em vista de seu gosto oposto às mudanças, tudo já estava feito. Por conta disso, passou algumas semanas de marasmo, sem grandes novidades, apenas no requinte da mesmice a qual tanto adora: o bar, a cerveja, os papos furados e o tempo arrastado de cada coisa.

Porém, agora, Arlindo Orlando percebeu que chegou a hora de mudar. Olhou em volta – seus móveis, o sofá já castigado, o piso, as manchas no teto, tudo um dia ficaria para trás. O Gato, que lhe observava atentamente, e com a cara de besta como já era de costume, também perceberia as mudanças, ainda que muito possivelmente a encarasse de um jeito muito melhor do que o próprio Arlindo Orlando.

2012, nesse caso, representa mudanças fundamentais. Quase preponderadamente metafísicas, diria Jurandir e seu gosto peculiar por palavras que achasse dignas de seu estilo vocabular.

Entretanto, não se trata de mudar de prédio, de apartamento, sequer trocar de roupa. A mudança é que, a partir da próxima semana, O DIÁRIO DE ARLINDO ORLANDO mudará de casa. A partir da próxima semana, as desventuras cotidianas de nosso companheiro estão publicadas no portal Dumativa (www.dumativa.com.br), que neste ano estreia em sua natureza alternativa, artística e descansada – ou seja, Arlindo Orlando vai se sentir em casa.

Para quem acompanha regularmente os textos de O DIÁRIO DE ARLINDO ORLANDO, poderá haver o estranhamento pelo fato de que em http://www.dumativa.com.br a “história” volta ao início – trocando em miúdos, desde os primeiros textos deste blog. Porém não desista ainda de nosso companheiro, não sem antes de ler esta informação assaz magnânima, como diria Jurandir: tudo vai ser remodelado e, mais que isso, entre os textos antigos serão colocados textos novos, dentro da lógica da historinha arlindorlândica. Então, mesmo os que já leem esse blog desde o início, terão igual divertimento lendo-o em Dumativa.

A partir da semana que vem, sempre às quartas, dê uma espiada então em www.dumativa.com.br. Este blog ainda ficará no ar, porém sem atualizações. Por ser este o último texto, nos despedimos do WordPress todos: Arlindo Orlando, Chico, seu Geraldo, Jurandir e eu – não o periquito Soriano e o gato Gato, já que o primeiro se despediu faz muito tempo e que o Gato, por motivos orais óbvios, não poderia fazê-lo.

Então, até a próxima semana.

Assinado: Diretório Geral do Partido Peladão.

(Arlindo Orlando: nesse eu confio)


LXXXIX

Zé Cláudio é daquele tipo que a gente pode tranquilamente chamar de fresco.

Não por ser afeminado, cheio de nojinhos. Na verdade, Zé Cláudio é dos sujeitos sensíveis até demais, a ponto de soar forçado. E é por isso que Arlindo Orlando observava com certo desprezo aquela longa explanação do Zé, na mesa do bar do Seu Geraldo, sobre a proximidade da primavera. A estação é inclusive do gosto de Arlindo Orlando, mas ainda assim não acredita necessário alguém, em plena segunda década do século XXI, construir quase uma ode a ela. Talvez Zé Cláudio goste mesmo é de aparecer, hipótese essa que irrita muito mais Arlindo Orlando. Mas até que no fundo se tratava de um boa praça, o que lhe salvava um restante de crédito, ameaçado pala frescurite crônica de sempre.

Quem ama com força o Zé Cláudio é o Jurandir. Não por ser boa praça, e sim por acreditar piamente em todas as lorotas contadas, e ainda por cima dar confiança pro surgimento de outras muitas. Não fosse por isso talvez o odiasse igualmente com força, tendo em vista que Jurandir é muito menos chegado a frescuras que Arlindo Orlando. Nessas horas que a gente entende a noção de prioridades das pessoas.

E a prioridade momentânea de Arlindo Orlando era a de pedir, pelo amor do que fosse, que Zé Cláudio parasse de falar em primavera.


LXXXVIII

O Gato está de volta.

Engraçado como aquela bestinha malhada já faz parte do ambiente do apartamento de Arlindo Orlando, de forma que fez falta naquele dias anteriores, quando o infeliz cismou de se esconder nos recantos de São Paulo. Há alguns dias foi Kátia quem voltou pra lá, depois de trazer o bichano e travar a conversa que ambos pareciam não levar jeito de ter. Foi assim que os dois, sentados no sofá de Arlindo Orlando, talvez o espaço preferido seu, tentavam trazer uma naturalidade perdida desde o dia recente em que Arlindo Orlando se emputeceu dentro das calças e voltou ao Rio. Parecia que esse retorno abrupto tinha remexido em qualquer coisa por dentro de Kátia, já que ela parecia muito mais grave que de costume, sem aqueles sorrisos já corriqueiros. E Arlindo Orlando era natural, na medida do possível, já que aquela criatura desde seu surgimento tinha por hábito retirar praticamente todo o senso de naturalidade do nosso companheiro de quartas.

E assim discorreu aquela conversa, com Kátia revelando arrependimento, e de que às vezes seu temperamento colocava a perder muita coisa. Já Arlindo Orlando reiterou que ele, por exemplo, não teria sido colocado a perder, já que estava ali, pra quando ela resolvesse voltar de São Paulo. Faltava em torno de um mês pra isso, e assim os dois teriam tempo pra colocar a cabeça no lugar e descobrir o que cargas d’água poderiam esperar e querer um do outro. Arlindo Orlando sabia bem o que queria (ou nem tão bem, mas sabia alguma coisa), e por isso comodamento se resignou a esperar que ela voltasse, já que agora não voltaria a São Paulo nem por reza brava, ainda que tenha gostado muito da companhia do novo amigo, o Biro.

E assim, Kátia voltou a São Paulo, dando a entender que tentaria ligar sempre. Arlindo Orlando disse que ligaria, e de fato tem ligado. Os dois feito uns bestas, dissimulando uma postura adulta e escondendo no banheiro de suas atitudes os adolescentes interiores que esperavam muito que o mês passasse o mais depressa possível.


LXXXVII

O sol violento já andava cedendo espaço àquela ventania repentina, enquanto Arlindo Orlando pensava: “eu já sabia”. E talvez soubesse mesmo, disso e de várias outras coisas que vinham ocorrendo, inclusive da saudade do Gato com aquela cara de besta, que vai ser devolvido ainda nessa semana, quando Kátia dará um pulo no Rio, pra fazer não se sabia o quê, ao certo.

Aliás, por mais que estivesse enrabichado por Kátia, essas duas semanas promoveram uma paz de espírito em Arlindo Orlando, que não conseguia entender direito nem por que cismou de ir embora do nada, ainda que soubesse ter toda a razão. E inclusive o assentamento de suas ideias faziam ver que, se Kátia não estivesse bem resolvida de suas coisas, que resolvesse e depois o procurasse – e notar essa própria resolução lhe dava as boas vindas ao velho Arlindo Orlando, que andou meio perdido em tempos de apego exacerbado.

O único apego que se mantinha talvez fosse do Gato, mas esse era substituído pelo bar, pelas lorotas do Jurandir, pela conversa fiada do Chico. Por sinal, esse último envolto em novas peripécias, já que andou se relacionando escusamente com mulher casada, e suspeitava que tinha engravidado a infeliz. Ao menos o corno se parecia com Chico, não haveria graves problemas, a não ser o de que Chico andava curioso se o bacuri seria de fato seu. Arlindo Orlando pensava que, na melhor das hipóteses, a mulher não estava grávida é coisa alguma, e provavelmente estava só fazendo hora com a cara do coitado de seu amigo.

Mas enfim, restava agora esperar.


LXXXVI

Enquanto chovia, Arlindo Orlando observava as pessoas, atrapalhadas, tentando driblar aquele toró repentino. Sempre achou graça de como as pessoas ficam confusas quando se veem desprotegidas, recebendo em cheio a adversidade, tendo que se virar como podem, ou não.

Assim também Arlindo Orlando se sentia, não pela chuva, mas por aquele momento de grande estranheza. De primeira, pela sua vinda prematura de São Paulo, ainda não resolvida, já que evitava até pensar na existência do problema. E em segundo lugar, o diabo do Gato, que tinha ficado por lá, já era uma falta no ambiente de sua casa. Mas felizmente, na única vez que falou por telefone com Kátia desde sua vinda, ela lhe avisou que o Gato apareceu, estava simplesmente escondido em um dos quartos – cuidaria dele até o dia em que voltasse ao Rio e devolveria o bichano a seu dono.

Então, sem Gato, batia papo era com Jurandir mesmo, ainda tentando convencer de que seria uma boa sair candidato nas próximas eleições. Arlindo Orlando seguia achando isso uma grande roubada, mas pelo menos aquele papo lhe distraía a mente daqueles perrengues recentes. E era engraçado perceber que pela primeira vez na vida a política lhe servia pra alguma coisa.


LXXXV

E aí o inevitável arranca-rabo aconteceu.

Kátia Flávia demonstrou tal transtorno com o encontro inesperado com aquele ex-noivo, que Arlindo Orlando sucumbiu à cisma mais trivial, tentando imaginar o que diabo teria ali entre aqueles dois. E quando lhe bate essa curiosidade, fica naquela impressão inquieta de pensar todas as hipóteses, e não descobrir qual é a mais acertada. Por isso, passou a última sexta-feira intrigado, tentando chegar à conclusão do que era melhor, aquietar seu facho ou perguntar logo de uma vez.

Por isso, naquele dia desceu ao bar um pouco calado, pensativo, o que naturalmente não passou desapercebido pelo Biro. Arlindo Orlando acabou contando o que se passava, e recebeu o conselho mais óbvio e notório: que deveria perguntar logo o diabo da coisa de uma vezada só. E foi assim que, à noite, chegando a namorada, Arlindo Orlando decidiu puxar o assunto.

Após a pergunta a queima roupa, Kátia tentou escorregar pela beirada, fugidia feito um sabonete. Depois disso, Arlindo Orlando até cogitou deixar o papo pra lá, mas resolveu seguir tentando, já que tinha começado. E Kátia se esquivando, a boxeadora médio-ligeira. Até que Arlindo Orlando aplicou aquele direto de direita, “mas por que diabos você não quer falar disso?”, e recebeu o contra-ataque certeiro, “porque não é da sua conta”. O gongo soou simultâneo ao “então tá certo, assunto encerrado” de Arlindo Orlando, e naquele dia de fato não houve papo.

Resultado disso é que, no dia seguinte, à francesa, Arlindo Orlando arrumou as malas e meteu o pé de São Paulo. Mas o diacho do Gato ficou, já que resolveu desaparecer completamente, fato esse que quase o segurou por mais tempo. Mas já estava tão puto nas calças, tão contrariado, que o Gato que se virasse. E agora, já bem mais tranquilo, observa os movimentos de sempre, já bem conhecidos, matando as saudades do Bar do Geraldo.


LXXXIV

No final das contas, São Paulo não é lá aquele bicho de sete cabeças – ao menos o pouco que Arlindo Orlando conheceu até então, o que consiste em quase nada. O bar que tem frequentado não é de todo mau, as pessoas agradáveis, sobretudo o Biro, aquele que achou por bem ignorar o nome Arlindo e simplesmente trocá-lo pela alcunha de Carioca, algo com o que Arlindo Orlando inclusive simpatizou.

O Biro é um sujeito já avançado na idade, pelas voltas das sete décadas, porém jovial feito mestre-sala de escola de samba. Logo de cara, conhecendo  Arlindo Orlando, fez as vezes de anfitrião, e enturmou o Carioca a todos os demais. Aquilo foi bom, já que uma semana depois de chegar à cidade já sentia alguma saudade da rotina no Rio, mas as boas companhias ajudavam a distraí-lo naquelas horas em que Kátia esteve envolvida com afazeres de trabalho.

Por sinal, Kátia andou por esses dias numa atarefação monstruosa, relegando Arlindo Orlando e o Gato a um praticamente deus-dará diário, sem saber o que fazer naquela cidade desconhecida, na solidão de companhias. Pelo menos as noites eram boas, embora naquele mesmo quê de estranheza, de um sujeito há tanto tempo solteiro se reabituando a dividir a cama e as horas noturnas de sono com outra pessoa. E assim, Arlindo Orlando percebia que o relacionamento com Kátia entrou naquela fase do vai-que-vai, correndo reto e sem desembarque, feito ônibus na seletiva da Brasil. E não é preciso dizer do cagaço que isso promove em Arlindo Orlando, tendo em vista que as últimas páginas deste diário têm demonstrado claramente esse estado de ânimo por parte de nosso companheiro das quartas-feiras.

E como se não bastasse isso, no único dia que pôde ter a companhia integral e decente de sua namorada, domingo passado, esbarraram os dois com um diabo de ex-noivo dela, que alterou os ânimos de Kátia suficientemente pra que Arlindo Orlando se sentisse contrariado. Mas claro que ele dissimulou o contrário, a naturalidade de cera, sujeito dessa idade não pode se submeter a tais desconfianças e ciúmes bestas, onde já se viu.

Mas que ficou meio arretado de ciúmes, ah, como ficou.


LXXXIII

O Gato ainda não compreendia o que aconteceu, mas já vinha se acostumando ao novo ambiente, com curiosidade. Já Arlindo Orlando, não tão curioso, passava por alguns momentos de nada pra fazer, tendo em vista que Kátia estava pra lá de atolada de trabalho, e não poderia acompanhá-lo durante o dia para mostrar as coisas que ela deve achar interessantes. E o que é interessante para o Arlindo Orlando já é bastante conhecido por qualquer um.

Por isso, a única diversão de Arlindo Orlando tem sido descer a uma birosca, um pé encardido que há em um quarteirão próximo do apartamento de Kátia. Percebeu o estalecimento na sexta-feira, quando chegaram a São Paulo, e se deu conta de que seria aquele um paleativo aos meses distante do bar do Geraldo. Não era lá de todo mau – o café vinha quente, a cerveja vinha gelada e o pão na manteiga vinha no ponto. Mas foi engraçado perceber os papos totalmente diferentes daqueles caras tão paulistas, e as propagandas desconhecidas que passavam na TVzinha de 14 polegadas, choviscando em um canto.

E tem sido nesse bar onde Arlindo Orlando tem se sentado e calmamente pensado na vida, observando o tempo pelo lado de fora, tentando adivinhar no que daria aquele rolo com Kátia. É fácil para ele gostar daquela diaba, a ponto de se sentir meio besta – ao menos mais que o normal. Mas ela, centrada feito um livro de filosofia, lhe dava uma chinelada de postura que simplesmente não permitia qualquer juízo sobre o que de fato sentia. Isso intrigava Arlindo Orlando, fazia misteriosamente a vaca ir pro brejo, por baixo dos tapetes de sua sala sentimental. E isso porque seu carpete era reforçado.

Mas de qualquer modo, Arlindo Orlando se sentia ainda mais besta do que antes, quando se dava conta dessa preocupação sem sentido, e voltava a se concentrar naquele copo de cerveja – pois se esta esquentasse, aí sim, seria um problema concreto.


LXXXII

As malas estavam prontas em um canto, e o Gato prontamente as estranhava, intrigado, tentando se aproximar, mas sem a coragem suficiente. Na verdade, Arlindo Orlando só arrumou as coisas todas por influência de Kátia, tendo em vista que só viajarão na sexta, tudo poderia ser resolvido na quinta mesmo – em cima da hora as coisas ficam sempre melhores, e tinha certeza de que só por ter arrumado tudo, por antecipação, faltaria algo.

Malas não trazem boas lembranças a Arlindo Orlando, há alguns anos. Fazem lembrar de quando ainda não vivia ali, naquele mesmo prédio de tantos tempos, na solidão povoada que significava aquele pequeno microcosmos da Nascimento Silva. De quando era ele em uma versão tão diferente, um Arlindo Orlando muitos passos atrás, aprendendo a caminhar em terrenos que talvez ainda hoje não saiba caminhar.  Terrenos daquelas meninas, espertas, sempre dispostas a provar que eram imprevisíveis, que se agarravam àquele pai pouco ortodoxo, em brincadeiras, como quem se distrai com um amigo pouco mais crescido – e hoje se espalhavam em lugares distantes, tão casadas e quase-mães. E era o terreno daquela outra menina, tão adulta, que lhe ensinou tantos truques, artimanhas, e que era capaz da mágica de multiplicar coisas não multiplicáveis, mas que não quis mais jogar no melhor da brincadeira.

E nisso, Arlindo Orlando teve que crescer muito, e rápido, envelhecer anos em dias e aprender a brincadeira de começar uma nova vida, por si só. E aprendeu como ninguém, a ponto de ser tão perito na arte de se virar dentro do seu território que lhe atemorizava – bastante, por sinal – aquele novo campo com Kátia. Mas agora eram aquelas bagagens, desengonçadas e simbólicas, as que lhe tiravam o sossego, em lembranças frágeis como qualquer certeza da vida. Porque Kátia era a menina sabida, que conhecia seus truques, os recantos de seu pique-esconde de sempre, e não lhe deixava direito à fuga daquele novo aprendizado, daquele novo terreno. Mas eram as malas na memória.

Então o Gato miou, e o tirou daquele avoamento momentâneo. Mas por dentro de Arlindo Orlando os anos se passavam, e desembocavam todos na lembrança de Kátia, que nesse momento lhe enviava uma mensagem no celular, dizendo sempre aquelas quaisquer coisas que agradavam tanto.


LXXXI

De início, nem o próprio Arlindo Orlando entendeu bem o que tinha feito.

Aquela decisão, de aceitar passar os meses em São Paulo, que mudaria drasticamente sua rotina durante um curto período, não condizia com um sujeito que se acostumou a sentar nos mesmos lugares de sempre no bar, que programava o mesmo transcurso de sempre ao caminhar pelas ruas, que previa até suas próprias imprevisibilidades. Se deu conta então de que aquela mulher lhe tinha o mesmo efeito daqueles hipnólogos de programas escusos da programação televisiva – o contato com Kátia Flávia significava sempre um nocaute, uma Queda da Bastilha, do Muro de Berlim e da Bolsa de Nova Iorque. Depois de perceber concretamente aquela decisão da semana anterior, percebeu que lhe restava pouco mais do que esperar qualquer coisa de si mesmo com relação à Kátia Flávia, e por uns instantes se sentiu tão acuado como o Gato quando resolveu aparecer por aquelas bandas.

A cara de Chico, ao saber da notícia, refletiu o mesmo espanto de Arlindo Orlando – nunca tinha visto o amigo ficar fora de casa por mais de quinze dias, quanto mais dois meses. Na verdade, tampouco tinha algum dia visto Arlindo Orlando com aquela expressão tão besta na cara, como nas vezes quando Kátia vinha passando pela rua – e isso que a amizade entre Arlindo e Chico já vinha de longa data. Por esse mesmo motivo, o espanto de Chico ao saber da viagem reforçou ainda mais a ideia em Arlindo Orlando de que só lhe restava dar um pulo no bar do Geraldo, e arrematar aquela cerveja antes que começasse a se sentir tão diferente e tão inesperado, que nem o espelho de seu banheiro o conseguisse mais reconhecer.

E foi isso que fez, já que naquele dia Kátia trabalharia até mais tarde, e os princípios de noites começavam a ser um pouco sem graça quando não estavam os dois jogando conversa fora, não importando onde fosse.


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